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TUDOsobreIMOVEIS Decoração Entrevista com Lia Siqueira

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23/5/2000

Lia Siqueira: música para os olhos

Azul Arquitetura & Design comemora 13 anos no mercado e revela fôlego para mais 100.


Quem passa em frente ao número 642 da aprazível Lopes Quintas,  pacata rua do Jardim Botânico, zona sul do Rio de Janeiro, vê uma bela edificação de cor azul. Arquitetos, decoradores e designers vêem mais: um espaço quase encantado, uma  fertilíssima usina de idéias à serviço do bom gosto e da funcionalidade na arte do morar bem.

Para enxergar o real significado da casa cor de céu no cenário da arquitetura de interiores e design brasileiros, o melhor (e mais agradável) é conhecer Lia Siqueira.

Lia, para quem ainda não sabe, é a maestrina da Azul Arquitetura & Design, escritório que sob sua batuta desde 1987, ano de sua fundação, coleciona algumas das mais importantes premiações da área e clientes em todas as regiões do país.

Diga-me com quem trabalhaste, que te digo quem és. Um exemplo dessa adaptação livre da máxima bíblica é o próprio currículo de Lia Siqueira.

Lia começou em1979. Desde o início tem sua carreira pontuada de experiências profissionais e acadêmicas importantes. A trajetória da arquiteta e designer iniciou com um estágio na CLC Projetos e Interiores, sigla que modestamente esconde a notória competência dos mestres Chicô Gouveia, Cadas e Lulas Abranches. Conclui-o em 1985, um ano depois de graduar-se em arquitetura e urbanismo pela Universidade Santa Úrsula.

'A passagem pelo escritório de Chicô, meu amigo e um profissional a quem muito respeito, foi valiosíssima. Foi muita sorte a minha ter começado a trabalhar com profissionais tão competentes e criativos', destaca.

No mesmo ano em que se forma em arquitetura, Lia desembarca em Kiel, acompanhando o marido João, convidado a trabalhar em uma empresa na Alemanha. A competência da arquiteta brasileira é logo reconhecida em solo germânico. Lia integra a equipe do escritório Weilding, Kettner e Dr. Werner.

'Como amante do design, não poderia ter dado mais sorte. Além de um contato mais próximo com o trabalho dos alemães, tive a oportunidade de conhecer o maravilhoso design e arquitetura escandinavos. O tempo que passei em Milão foi igualmente fantástico', recorda.

De volta ao Rio de Janeiro em 1986, Lia Siqueira desenvolve  projetos em um escritório de arquitetura com Frida Baranek por um ano. Em 1987, nasce a Azul Arquitetura & Design.
De lá para cá, os sucessos foram tantos e tão notórios que Lia Siqueira, nas asas da Azul, mais do que uma referência nacional em arquitetura e design, imprimiu uma marca personalíssima em seus trabalhos.

'A arquitetura de interiores é uma arte. Não basta apenas entender o homem no espaço que ele ocupa. É preciso oferecer os meios para tornar a vida mais prazerosa, emocionante e prática. É como compor uma música: tem de saber reunir as notas certas e compreender a importância do silêncio', afirma.

Como é possível produzir uma 'boa música', sem correr o risco de 'desafinar' por ceder demais às crenças dos clientes?

'Não é comum haver esse tipo de problema. Acho que tenho a sorte de me relacionar com pessoas que são parte da elite cultural do país. Eu sou capaz de ceder, mas nunca de cometer um erro pelo meu cliente', acrescenta.

Não cometer erros, segundo a arquiteta, significa saber colocar em prática uma boa bagagem acadêmica e profissional e/ou a associação com profissionais de diferentes áreas relacionadas à arquitetura.

'É até saudável investir em uma proposta que você não acredita, mas que não esteja tecnicamente errada. Afinal, o bom trabalho em aquitetura de ineriores é sempre o produto da compreensão das necessidades de quem vai habitar um certo espaço. Porém não acredito em cometer erros pelos clientes, pois provar tecnicamente que uma proposta produzirá um resultado insatisfatório é simples para quem possui conhecimento e experiência', diz.

Lia acredita que a associação com profissionais de áreas paralelas à arquitetura não apenas vem se mostrando como uma eficaz ferramenta de potencialização de resultados, como tem revelado grandes talentos.

'Um bom arquiteto não pode e não deve se julgar onipotente. Embora conheçamos o efeito idealizado, por exemplo, para uma iluminação, o ideal é delegar a tarefa de produzir o efeito a um bom luminotécnico', destaca.

O resultado mais imediato disso é que, além de possibilitar o ingresso de novos e bons profissionais no mercado, o que é fundamental para a valorização da arquitetura, o serviço é executado com a qualidade desejada por ambas as partes: profissionais e clientes. Daí a existência de profissionais sem diploma no mercado de arquitetura de interiores e design não incomodar a arquiteta. Segundo ela, além de muito espaço, o mercado sabe reconhecer aqueles que são bons, possuindo ou não uma formação superior.

'Há espaço para todos, mas só os realmente competentes se estabelecem. Existem casos, alguns notórios, de profissionais que não possuem diploma de arquitetura, mas distinguiram-se no mercado. Bons profissionais serão sempre bem-vindos', acredita. 'Mas acho que a entrada de pessoas sem formação superior não deve ser encarada como uma ameaça aos profissionais', acrescenta.

Embora prefira assinalar que não existem dicas genéricas para a realização de um bom projeto de arquitetura, Lia afirma que algumas preocupações não podem deixar de ser observadas por arquitetos.

'Cada caso é um caso, o que significa que não é possível falar genericamente sobre o que deve ser feito na prática para a realização de uma boa arquitetura de interiores. São muitos e muito específicos os fatores que determinarão um bom resultado. Existem alguns aspectos que não podem deixar de ser observados por arquitetos. Por exemplo, deve ser observada sempre uma boa iluminação, ventilação, circulação, fluxo, ambientação adequada e o contraponto entre iluminação natural e artificial', observa.

Para Lia, se apenas arquitetos, formados ou forjados pela prática, estão aptos a realizarem bons projetos de arquitetura de interiores, o mesmo não pode ser dito em relação à decoração. Segundo a arquiteta, 'é até possível encontrar ajuda em lojas e publicações especializadas, mas é preciso muita atenção para não reunir lindas peças sem qualquer afinidade estética entre elas'.

'A decoração é muito importante, tanto que hoje faz parte do currículo de várias faculdades de arquitetura e deve ser feita segundo aquilo que mais se adapta com a personalidade de quem vai ocupar o espaço. Penso que seja importante alertar para o risco de não se planejar a decoração sob a perspectiva de uma unidade temática. O ideal, como na música, é existir um único maestro', conclui.
 




Serviço:
Azul Arquitetura & Design
Rua Lopes Quintas, 642/ Jardim Botânico/Rio de Janeiro
Tel: (21) 540-8646
e-mail: azul@trip.com.br

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